Num mundo desde sempre “composto de mudança” e evidentes sinais de “desconcerto”, como já Camões poeticamente testemunhava no séc. XVI, é um desafio para a escola, hoje, fornecer às crianças e jovens ferramentas que os ajudem a lidar com as incertezas da realidade em tão rápida e permanente transformação que caracteriza a sociedade em que vivemos.
O património artístico local, uma fonte de conhecimento, de cultura e de cidadania tantas vezes, paradoxalmente, tão próxima mas também tão desconhecida, é uma herança de valor incalculável que pode constituir um meio privilegiado para partir à (re)descoberta de perenes e/ou novos valores identitários, que ajudem crianças e jovens a lidar com o mundo contemporâneo, não raras vezes marcado pela inconsistência e pela volatilidade.
No âmbito da colaboração da ESSM no projeto “Between Mnemosyne and Terpsichore – Heritage Sites and Contemporary Dance for the promotion of critical thinking among pupils”, do qual o AGML é parceiro, docentes de várias áreas disciplinares (biologia, desenho, expressão dramática, geografia, história e língua e literatura portuguesa) visitaram o Palácio Nacional de Sintra, o principal promotor deste projeto Erasmus, que integra também o Palácio de Wilanow, na Polónia.
Nesta visita, procurou-se estabelecer pontes entre a extraordinária complexidade e beleza, bem como a requintada sedução deste palácio, que o historiador Vítor Serrão apelida de “o mais fascinante conjunto áulico-realengo que subsiste em Portugal”, e os objetivos e conteúdos programáticos das diferentes disciplinas, a fim de consolidar nos alunos do ensino secundário a descoberta, neste monumento nacional, de diversas expressões artísticas, culturas e épocas como caminho para a promoção do seu pensamento crítico e autónomo sobre a contemporaneidade.
Sendo “o passado […] um país estrangeiro”, como afirmava o historiador e geógrafo David Lowenthal, ficou claro, com esta visita, que o Palácio Nacional de Sintra, enquanto testemunha de um passado que quase se confunde com a história do nosso país, muito ainda tem a revelar e, com a sua diversidade e singeleza, constitui uma forma privilegiada para colocar os alunos a pensar criticamente, com vista ao exercício de uma cidadania responsável.














